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terça-feira, 1 de agosto de 2017

A HISTÓRIA DA ETERNA Á REDE MANCHETE

Rede Manchete (também conhecida como TV Manchete ou apenas Manchete) foi uma rede de televisão brasileira fundada na cidade do Rio de Janeiro em 5 de junho de 1983 pelo jornalista e empresário ucraniano naturalizado brasileiro Adolpho Bloch. A emissora permaneceu no ar até 10 de maio de 1999. Fazia parte do Grupo Bloch, que publicava a revista Manchete através da Bloch Editores, sendo que o nome dado para a emissora de televisão refere-se a esta revista.

Prevista inicialmente para entrar no ar entre setembro e novembro de 1982, e depois para março de 1983, em 5 de junho de 1983, um domingo, a Manchete finalmente entrou no ar com um discurso de Adolpho Bloch, seu proprietário. Com equipamento sofisticado e buscando uma programação classe alta, a Manchete ficou conhecida pela sua programação baseada no forte jornalismo, na cobertura do esporte brasileiro e internacional, apresentando grandes eventos esportivos. As telenovelas, minisséries e séries da Manchete também fizeram história na teledramaturgia no Brasil. Além da programação própria, a TV Manchete é lembrada pelo público por ter transmitido as produções japonesas do gênero tokusatsu e anime.

Por outro lado, os caros investimentos na emissora levaram a sucessivas crises. Em 1985, com dois anos de existência, os prejuízos da Rede Manchete eram evidentes. A emissora entrava em sua primeira crise financeira. Bloch, em 1988, quis vender a emissora e pediu US$ 350 milhões. Na década de 1990, o então deputado Paulo Octávio fez uma proposta para Adolpho Bloch da proposta de compra da TV Manchete por US$ 200 milhões de dólares. O sócio de Paulo Octávio era o empresário e educador João Carlos Di Genio, mas nada se concretizou. A Editora Abril também mostrou interesse na emissora. Então, a empresa IBF assumiu a Manchete, mas logo depois teve cassada a sua gestão pela justiça. Adolpho Bloch recebeu de volta o encargo de uma rede nacional, com os salários dos funcionários atrasados em seis meses. Pedindo um tempo aos empregados, ele conseguiu, em quatro meses, normalizar o pagamento da folha.

Mas o esforço de caixa continuou repercutindo na programação. Pedro Jack Kapeller se tornaria presidente da Rede Manchete em 1995 após o falecimento de seu tio, Adolpho Bloch. A crise da Manchete se aprofundou após a Copa do Mundo de 1998, quando seu faturamento caiu 40%. No final de setembro, a emissora demitiu 540 funcionários e novamente a folha estava atrasada. Em outubro, cortou a produção de quase todos os seus programas jornalísticos, abortando, inclusive, a novela Brida. Ela chegou a ficar fora do ar três vezes, a primeira devido a uma invasão de funcionários na torre da emissora em São Paulo. A emissora seria vendida durante um mês para a Igreja Renascer em Cristo em janeiro de 1999, porém em fevereiro do mesmo ano rompeu com a igreja, alegando o descumprimento de cláusulas contratuais. Em maio de 1999, Amilcare Dallevo e Marcelo de Carvalho assumiram as concessões da Manchete, transferiram a sede para Barueri e o nome da emissora foi mudado para RedeTV!.

História
No final dos anos 70, Adolpho Bloch se interessou pela televisão, o único meio de comunicação onde ainda não atuava, até então já tinha algumas emissoras de rádio no Rio de Janeiro. Bloch havia designado um grupo de diretores e funcionários da Bloch Editores para cuidar do projeto da TV Manchete. O empresário conta em seu depoimento: Quando aqui cheguei [de volta ao Brasil após viagem aos Estados Unidos, em 1981], encontrei o projeto da televisão bastante adiantado. Eu não estava a par de quase nada. Era grato ao presidente Figueiredo, que nos concedeu os cinco canais depois da necessária licitação pública. Bloch ainda contou que investir em televisão não estava entre suas prioridades: Pessoalmente, eu preferiria continuar investindo na editora, visitando exposições de gráficas, de livros, revistas e, com o tempo, concretizando o projeto de fabricar latas de alumínio, uma novidade no mercado brasileiro. (...) Relutei comigo mesmo e custou-me a ideia da televisão. Mas quando aderi, e seguindo o meu temperamento, foi para valer. Em junho de 1981, meses depois de receber a concessão, Adolpho Bloch foi recebido , em audiência, pelo Governador de São Paulo Paulo Salim Maluf, mas classificou sua presença no Palácio dos Bandeirantes como só cortesia. Afirmando que pretendia fazer televisão para intelectuais, mas sem multa complicação.

Concessão
Em 23 de julho de 1980, o governo federal brasileiro anunciou a abertura da concorrência para duas novas redes de televisão que surgiram das sete concessões da Rede Tupi e duas da Rede Excelsior, ambas já extintas. Em março de 1981, o governo federal anunciou os vencedores da licitação. O presidente João Figueiredo concedeu as concessões aos grupos de Adolpho Bloch e Silvio Santos, respectivamente, nos decretos nº 84.842 e nº 85.841, das nove emissoras cedidas, quatro ficaram com o Grupo Silvio Santos e as cinco restantes com o Grupo Bloch. Em 19 de agosto de 1981, em Brasília, Adolpho Bloch e Silvio Santos assinaram os contratos definitivos das concessões. O SBT foi lançado nesta data, enquanto o Grupo Bloch decidiu adiar o lançamento da futura emissora, Rede Manchete, para poder preparar o projeto da nova rede. Após investir US$ 50 milhões de dólares em instalações, equipamentos e enlatados e contratar 800 profissionais. O sobrinho de Adolpho Bloch, Pedro Jack Kapeller seguiu para os Estados Unidos e Japão, trazendo os equipamentos mais modernos.

Segundo Conti (1999), Bloch foi escolhido porque a Manchete [revista] elogiava o governo e porque seu sobrinho, Oscar Siegelman, era amigo do general Otávio Medeiros, do Serviço Nacional de Informações. Mas quase não a ganhou por causa da maneira como a revista cobria o Carnaval: Assim eu não vou dar a televisão para vocês, disse Figueiredo a Oscar Siegelman. Eu estive vendo a Manchete, é uma vergonha. Só dá bicha e mulher pelada e vocês vão colocar isso na televisão. O general mudou de opinião depois que Alexandre Garcia, seu ex-assessor de imprensa [atualmente na Rede Globo], disse que seria o diretor do Departamento de Jornalismo da emissora e não permitiria que cenas de baixo nível fossem ao ar”. (Conti,1999, p.514).

Em 20 de março de 1981, o Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo divulgou uma nota oficial lamentando a decisão do Ministério das Comunicações em ceder duas concessões aos grupos de Adolpho Bloch e Silvio Santos, o sindicato afirmando-se "de luto" pela concessão das duas novas redes de televisão ao Sr. Adolpho Bloch e ao Sr. Silvio Santos. O sindicato considerou que "foram ganhadoras as duas piores propostas, pois o Sr. Adolpho Bloch já fala numa rede para exibir filmes enquanto o Sr Sílvio Santos está preocupado com o seu Baú da Felicidade para a venda de carnês".

Em relação a Adolpho Bloch, o sindicato se referiu ao empresário que "o Sr Adolpho Bloch é proprietário de uma não muito promissora editora de revistas."

As cinco emissoras conquistadas pelo grupo foram TV Manchete Rio de Janeiro, Canal 6 (antiga TV Tupi Rio de Janeiro), TV Manchete São Paulo, Canal 9 (antiga TV Excelsior), TV Manchete Belo Horizonte, Canal 4 (antiga TV Itacolomi), TV Manchete Recife, Canal 6 (antiga TV Rádio Clube de Pernambuco) e TV Manchete Fortaleza, Canal 2 (antiga TV Ceará). A Manchete teve a TV Pampa, de Porto Alegre, como sua primeira afiliada no Brasil.

Cento e vinte dias depois de ganhar a concorrência para os canais, em janeiro de 1982, a nova rede já tinha encomendado cerca de 35 milhões de dólares em equipamentos (americanos japoneses e ingleses), mais da metade do orçamento total estimado em 50 milhões de dólares. Todas as instalações físicas da emissora estavam prontas à espera dos equipamentos. Enquanto isso, o arquiteto Oscar Niemeyer trabalhava no projeto do centro de produção nacional que funcionaria no terreno de 100 mil metros quadrados, na Barra da Tijuca. A previsão, até então, era que a Manchete entraria no ar entre setembro e novembro de 1982. Em relação a futura programação, era dito que seria dirigida a um público inteligente que assiste ou não à televisão ("classe A e B") e que, com certeza, estará voltada para temas brasileiros, dentro de um padrão que mais se aproxima do europeu. "Mais sério, menos apelativo e menos eletrônico". A direção explicou: em televisão tudo é muito veloz. O que se planeja muda muito rápido. Quem sabe se até lá a TVS não será a campeã de audiência?. E adianta: a Rede Manchete de Televisão será alegre, extrovertida, jovial, mas também séria e o menos eletrônica possível. Novamente, a estreia foi adiada para março de 1983: A gente não tem pressa: o Adolfo Bloch quer fazer tudo direito, como manda o figurino. Sem dúvida vai ser a TV mais moderna do mundo porque, além dos equipamentos ultrassofisticados, vai ser a primeira rede que já começa com tudo pronto, afirmava Rubens Furtado, o diretor-geral da TV Manchete. Finalmente, em maio de 1983, foi anunciado que em quinze dias, em 5 de junho de 1983 às 19h, a Manchete iria iniciar suas transmissões em quatro estados que iriam receber a imagem da TV Manchete: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, em Porto Alegre a transmissão será através da TV Pampa, a primeira filiada. A expectativa em torno da inauguração foi crescendo desde o primeiro sinal da emissora às 15h27mín do dia 13 de maio, uma sexta-feira.

Inauguração
Quase dois anos depois das concessões, a Rede Manchete foi ao ar pontualmente às 19h em um domingo, 5 de junho de 1983, Logo na estreia, a Rede Manchete chegou com grandes inovações. Foi colocada no ar uma contagem regressiva futurística de 8 segundos para um informe da Petrobras anunciando o lubrificante Lubrax e dando boas-vindas a nova emissora brasileira. Seguiu um discurso no ar de Adolpho Bloch no cenário do jornalismo da emissora. Em seguida, foi colocada no ar vinheta da emissora, onde a letra "M" estilizada voa em vários locais do Brasil e pousa na sede da emissora no Rio. Essa vinheta anunciou a entrada no ar da rede e da primeira afiliada: a TV Pampa de Porto Alegre, que contava com várias "emissoras gêmeas" no interior do estado do Rio Grande do Sul.

Nos primeiros minutos da emissora, Adolpho Bloch fez um depoimento, primeiramente, sem som (devido a uma falha). Logo depois, o recomeço da gravação, tudo correu normalmente. E depois continuou: Meus amigos, hoje é um dia importante para a Família Manchete. Como você sabe, a nossa riqueza é o trabalho e o otimismo. Para nós, a televisão foi um desafio. Estamos felizes em continuar contribuindo para a construção de um Brasil grande. O presidente João Figueiredo confiou em nossa imprensa. Para nós, a televisão representa responsabilidade. Estamos produzindo uma programação de alto nível. É um dever mencionar o pioneiro Assis Chateaubriand, um homem de grande visão. Apresento minhas saudações à TV Educativa, à TV Cultura, à TV Bandeirantes, à TV Gazeta, à TV Sílvio Santos (referindo-se à TVS, atual SBT), à TV Record, às Emissoras Independentes (referindo se a antiga Rede Record com o antigo SBT, atual Record) e à Rede Globo de Televisão. Meus agradecimentos ao Dr. Roberto Marinho. Nossa amizade já passa de meio século. Deixo com vocês, meus amigos, a Rede Manchete de Televisão. Ela está no ar.. Em seguida, foi ao ar uma marcante vinheta, um clipe onde uma nave, representada pelo "M" (logotipo da emissora), sobrevoava as principais cidades brasileiras e aterrissava no alto do prédio da emissora, o Edifício Manchete, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, a cabeça-de-rede da emissora ficava na Rua do Russel, na Glória, no Rio de Janeiro. A mesma vinheta permaneceu no ar do primeiro ao último dia da emissora, sendo considerada uma das mais longínquas da televisão.

Em seguida, foi apresentado a fala do Presidente João Figueiredo: Adolpho Bloch tem mais anos de Brasil que a maioria de nós.

O primeiro programa a ser exibido foi um show de três horas de duração denominado O Mundo Mágico, dirigido por Nelson Pereira dos Santos, contando com a participação de diversos conjuntos musicais e artistas, com várias atrações, dentre elas o recente grupo musical Roupa Nova, a banda Blitz, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, Ney Matogrosso, Dona Ivone Lara, Watusi, Zizi Possi, Arthur Moreira Lima, Alceu Valença e Elba Ramalho. Além de apresentações de dança, como o balé com Fernando Bujones e Ana Maria Botafogo e tango com Cláudio Tovar e Lucinha Lins. As três horas de quadros musicais foram entremeados de pequenos depoimentos e algumas breves reportagens sobre o império Bloch. A atração atrapalhou a Rede Globo, principalmente no Rio de Janeiro. Enquanto o Fantástico alcançou 35 pontos, o show da Manchete chegou perto, com 33, uma proeza para uma estreia. que foi transmitido ao vivo. A audiência chegou a incomodar o Fantástico, exibido pela Rede Globo. Depois do show, a Rede Manchete colocava no ar o primeiro filme exibido em sua história: Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg, até então inédito na televisão brasileira. A Manchete gastou US$ 800 mil dólares para adquirir os direitos de exibição do longa-metragem, que foi dividido em 15 partes e durou três horas e 20 minutos, que venceu a Globo por 27 a 12 na capital carioca. A Globo saiu vencedora absoluta nos outros horários, mas perdeu, com a entrada da Manchete, na faixa das 19h às 22h, cerca de 18 pontos (1 milhão de pessoas) não só durante Os Trapalhões como ainda durante o Fantástico. Interessante registrar como a expectativa era grande quanto à chegada da Manchete. Antes mesmo do horário previsto para a estreia, muitos telespectadores já ligavam seus televisores no canal 6. Por isso, às 18h30min de domingo, um público de 425 mil cariocas (7,3%) esperavam, com certeza ansiosos, o nascimento televisivo do ano.

Segundo funcionários da Manchete, a publicidade vendida na programação da estreia alcançou a cifra de Cr$ 900 milhões; o número não foi divulgado oficialmente mas um dos diretores da Rede, Moisés Weltman, declarou que esta quantia representa o maior volume de vendas já registrado em um só dia por uma rede de televisão, no Brasil. Várias marcas patrocinaram o show de inauguração como: Petrobrás, Shell, Atlantic, Nestlé, Omo, Gigante Branco, Philips, Walita, Maggi, Gillette, General Motors, Supergasbras, Gradiente, Ariola, Consul, Minerva, Odyssey, Ponto Frio, Brastemp, Sul América, Souza Cruz, Volkswagen, Johnson & Johnson, Doriana e muitos outras. A inauguração oficial da Manchete foi saudada com recepção para 300 convidados no 10º andar do edifício da Bloch Editores, entre os quais estavam o Governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, o Presidente do Banco Central do Brasil, Carlos Geraldo Langoni, o ex-diretor da Cacex, Benedito Moreira, a Diretora Presidente do Jornal do Brasil, Condessa Pereira Carneiro, o cientista Albert Sabin, entre outros. A imprensa também destacou a inauguração com elogios, o Jornal do Brasil declarou: A TV Manchete iniciou ontem seus trabalhos sob o signo da inovação. Pela primeira vez na história da TV mundial, uma emissora se lança no ar abrindo a sua programação com um anúncio. Só depois é que deu boa-noite.

Na segunda depois da inauguração, o jornalismo da emissora nascia com o Jornal da Manchete, até então o noticiário no horário nobre mais longo da televisão brasileira, com uma hora e meia de duração. A ênfase a esse noticiário é uma das provas apresentadas pelo diretor Zevi Ghivelder, de que a Manchete seria uma emissora que apostaria na segmentação da audiência, voltada para as classes A e B, assim como Sílvio Santos apostou nas classes C e D e a Globo prefere atingir todo o espectro do público. A rede mantém na época o que denominava programação de alto nível, com documentários, jornalismo e programas de entrevistas. À Folha de S. Paulo de 5 de junho de 1983, Rubens Furtado explicou: "A TVS se dirige ao público C e D; a Bandeirantes não tem público definido, enquanto a Globo pretende ser eclética. Pesquisas nos mostraram a insatisfação dos segmentos A e B com a programação que lhes é oferecida atualmente. Então, decidimos optar por esse público. Além disso, os Bloch têm a tradição de ter, em sua empresa, iniciativas de alto nível". Os concorrentes não acreditavam na proposta da emissora, como destacou à Folha o então vice-presidente do SBT, Luciano Callegari: "Quando entramos, também imaginamos um segundo lugar. Ninguém entra para perder. Porém, acho que se a Manchete quiser sobreviver, a curto prazo terá de optar por uma programação semelhante à nossa e a da Globo, procurando classes mais populares. Como já ficou provado, aqueles que optaram por públicos mais sofisticados tiveram problemas graves, como a Bandeirantes, por exemplo".

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